Converso bastante com minha agenda, um livro antigo com capa
marrom e figuras românticas; e hoje amanheci com sua falação. Por mais que eu
diga não, ela é muito insistente e faz de tudo para me convencer da cândida
menina que fui um dia e que nunca mais serei. Hoje, ela foi muito detalhista ao
contar-me os sonhos que eu tinha quando não sabia os sofrimentos que isso
poderia causar devido às expectativas criadas pelo meu ego. Lembrou-me de que
aos treze anos já acreditava que amava um rapaz mais velho do que eu. Não deixou passar o
bullying que sofria na escola por usar uma saia enorme e ser "CDF", sendo até
premiada pela instituição de ensino na época pelas notas excelentes durante os
4 anos ginasiais. É! Realmente eu era brilhante! Só não tinha consciência
disso, eu acho! Entretanto, minha agenda não deixou de comentar minha solidão,
apesar de ter tido uma colega que se dizia minha amiga (também excluída pelos colegas da escola
por ser extremamente magra -acho que só isso nos aproximava, o fato de sermos
excluídas). Minha agenda foi muito cruel comigo, porém ao analisar bem os fatos
que expôs, eu pude responder às acusações de culpabilidade pelas expectativas à "querida" agenda.
Observei cada fase que vivi e cheguei a seguinte conclusão:
da velha infância guardei algo ruim, o medo, da adolescência reservei a
vergonha, da fase adulta/casada, retive o preconceito e na fase adulta/divorciada
presencio o viver. Em cada fase uma mulher, uma guerreira, uma vivente ou
sobrevivente. A agenda até tentou argumentar mostrando meus sentimentos de
revolta e a quantidade de anos em minhas costas, mas não funcionou! Em cada
etapa vivi o que deveria ter vivido, porém diferente do que acontece com os
homens, nós mulheres somos como vinho, vamos envelhecendo e ficando melhores,
mais gostosas e mais refinadas (a maioria). Juro que a agenda quase me pegou de
jeito, mas fui mais esperta! Eu cheguei a pensar que em meus trinta anos seria
uma jovem senhora a reclamar da vida, por não ter mais aquele belo corpinho de
dezoito anos, mas... ledo engano! Hoje ultrapassei os trinta, os quarenta e assim como disse
à minha agenda, digo aqui, estou muito mais gostosa, muito mais madura e mais
consciente do que antes! Não é o corpo que faz a mulher, é a mulher que faz o
corpo! A gente pega experiência e tudo fica mais saboroso, mais gostoso!
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Hoje, aceito minha idade, meu jeito, meus defeitos e convivo bem com isso, procuro evoluir todos os dias. |
Sei o que faço, como faço e quando devo fazer. A mulher não tem que se prender à idade, às rugas, tem gente que não conseguiu chegar a nossa idade, temos mais é que agradecer e esbanjar conhecimento, graça e leveza.
Agora, gente, sabemos que a crise dos trinta é uma questão de autoconhecimento, de sabermos
lidar melhor com o nosso universo interno, de aceitar as coisas como são, como
foram e como podem vir a ser, sem a angústia e a frustração do ciclo anterior. Então, apesar de ser uma fase que exige muito de nós, não é necessário
brigar com a família e as pessoas ao redor por causa de todas as mudanças que
ainda não sabemos onde nos levarão. Ao invés de se desesperar, veja essa fase
como uma oportunidade de crescimento e renovação pessoal. Entenderam? Eu passei por ela, estou muito bem. Sei que vocês também conseguirão, é uma questão de tempo.
Bom, voltando a minha agenda, para não ter mais
aborrecimentos, entrei em um bom senso com ela, continuarei a
escrever minhas intensas vivências se ela parar de me remeter à infância. Ela
concordou, espero que cumpra.
Olá Cleo, quando hoje voltar da Academia vou ler algumas de suas postagens.
ResponderExcluirAssim viramos amigas de Blog, combinado?
Combinado. Fique à vontade, Liliane.
ExcluirSei como é a vida de academia, como eu disse lá,
eu ainda vou voltar...