segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Valorizar o outro- Uma capacidade para poucos




O QUE É VALORIZAÇÃO?

Em inglês, valorização significa “dar força a outro”. Definimos o que somos no contexto de como os outros nos veem. Todos desejamos por sermos valorizados e, assim, encorajados por parte de alguém. Essa aceitação nos dá um sentimento de integração, identidade, talvez, até uma certa igualdade.
Ao encorajarmos alguém com comentários positivos, nós lhe damos forças para reconhecer seus dons e essa contribuição, com certeza, fará bem à sua vida. Temos isso em nosso meio, essa valorização faz-se necessária para se enfrentar as agruras do dia-a-dia, para se sobreviver em comunidade, na escola ou em um ambiente de trabalho, onde sempre há competições entre as pessoas, mesmo que não tão explícitas. Sem o reconhecimento de uma valorização e o carinho que a acompanha, é provável que fiquemos alienados e desmotivados.
Elogiar, pode ser difícil, talvez para quem é orgulhoso, mas é um toque terno e sensível de um ser humano em outro que encoraja a reconhecer o potencial que é dado por Deus, e não custa nada – é de graça!

Isso me remete aos meus alunos, todo ano temos sempre aqueles com mais dificuldades, aqueles que precisam de nós mais do que os demais, aqueles que precisamos ter um olhar diferenciado, um olhar mais apurado. Devemos valorizar todos! Cada um dentro de suas limitações, de suas possibilidades, de suas capacidades, estudar meios para compreender o que está acontecendo para que o aprendizado não esteja acontecendo como o esperado.

Trabalho há mais de 10 anos com alunos especiais, e me lembro do caso de Helen Keller (Biografia de Helen Keller) que é admirada por todo o mundo. No entanto, nem sempre foi um exemplo bonito. Lembram do início de sua história?

Nasceu cega, surda e com muita energia expressando suas frustrações em acessos de Ira e raiva. Provocada ou não ficava violenta e batia nas pessoas com qualquer objeto que suas mãos pudessem encontrar. Chutava, batia e mordia sempre que se sentia contrariada, seu pai gritava mesmo que ela não ouvindo, sugeriu, inclusive, que fosse para um manicômio, sua mãe tentava ser compreensiva, mas nada resolvia. Uma vez, escreveram que na sua primeira infância ela era como “um animal descontrolado e selvagem”.

Assim que Helen chegou aos seis anos, ela conheceu uma pessoa que entrou na sua vida para mudar sua história, que olhou para ela de uma forma diferente, que olhou para seu íntimo, alguém que conhecia a palavra valorização. Ann Sullivan, ela própria tinha sido vítima de limitações como eu já fui, como você pode ter sido ou é.

Durante os primeiros dias Hellen batia, mordia, dava pontapés, jogava coisas em Ann que teve esse desafio, mas era forte e toda essa demonstração de raiva só fez com que ficasse mais firme em seu propósito.

Ann lhe dava palmada gentil negava alimento a menos que estivesse disposta a comer com boas maneiras, no entanto, sempre a recompensava com um abraço. Anos mais tarde relembrando esse passado Helen escreveu: “Senti passos que se aproximavam e estendi a mão como supunha, à minha mãe. Alguém a tomou e fui abraçada e apertada. Ela viera a revelar tudo para mim e, mais que qualquer outra coisa, amar-me”. Aquele gesto de Ann abriu um mundo ao redor Helen, cheio de beleza, de encanto. 

Ela se apegou em Ann como uma pessoa que podia transformar sua vida, alguém que podia fazê-la enxergar sem os olhos, ouvir sem o som, e ter vida em toda aquela escuridão.

Ann enxergou em Helen além do que os olhos podiam ver, o seu potencial.  Ela sabia que um elogio e um carinho podiam tirar todas as possibilidades que haviam dentro daquela criança desamparada.

Portanto, se você estiver enfrentando um desafio como o de Ann, não olhe com os olhos, enxergue com a alma e valorize o ser humano que tens nas mãos. Você pode fazer a diferença, não espere pelos outros, faça! Seja em sua casa, seja em sua faculdade, seja em seu trabalho ou mesmo em sua vizinhança ou comunidade religiosa, faça a diferença!



 Beijinhos!!!


















sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Professor, missão e gratidão!







2º ano, turma que leciono atualmente
2019
Hoje andando na rua, fui surpreendida por uma ex aluna de uns 11 anos de idade. Há 3 anos dei aula para ela no 2º ano do fundamental, essa menina me abraçou com tanto afago que fiquei emocionada. Ela disse simplesmente: “Oi tia” e olhou para mim com meiguice esperando que eu retribuísse o afeto. Lógico que o fiz. Dei-lhe um beijo disse que estava uma moça já quase de meu tamanho e muito linda, ela sorriu, agradeceu e se foi.

E não é só isso, coincidentemente, ontem adicionando seguidores de minha cidade no meu Instagram, percebi que alguém me chamava no Direct, quando li a mensagem fui surpreendida pelos seguintes dizeres: “Caramba tia! Quanto tempo! ”, pois é era outra ex aluna só que de 18 anos atrás, a vida tem dessas coisas, 18 anos se passaram e vimos nos encontrar agora. Nós conversamos por alguns minutos e retomamos o contato. Noutro dia, no Facebook, um ex aluno teve a gentileza de pedir a amizade e disse que quando era meu aluno, há 20 anos atrás, não lavava as mãos quando eu as beijava só para guardar meu cheirinho com ele (detalhe, ele morava na roça e andava com seu irmão 6km todos os dias para chegar na escola, com sol ou com chuva).

Há um tempo atrás, estava em um ônibus e uma moça que estava sentada na minha frente virou-se para trás e disse: “ Você foi minha professora no prézinho, conheci pela voz! ” Eu sorri e agradeci pela lembrança, a jovem logo saiu e não a vi mais.

Escola onde eu lecionava português para o 6º ano
em Volta Redonda/RJ.
Confesso que tentei lecionar para adolescentes, pois sou professora de português, literatura brasileira e redação, no entanto, não deu muito certo. Eles são rebeldes. Gritam com a gente. Querem impor suas vontades, nãos nos respeitam como nós respeitávamos nossos professores antigamente. Desisti deles. As crianças, por outro lado, me encantam, elas ainda carregam, como eu já disse uma vez, uma certa ingenuidade. Eu tento explorar ao máximo essa ingenuidade delas, aflorando seus sonhos, seus ideais, seu lado lúdico. Aproveito minha experiência com a literatura para explorar o encantamento que há nas crianças e colocando-as para pensar. E sei que isso incomoda muita gente. Principalmente, quem não quer ter pessoas pensantes!

Penso que por isso elas me admirem tanto.

Gostaria que o governo valorizasse também nosso futuro, nossas crianças, para que se tornassem adolescentes mais fáceis de se lidar no futuro. Hoje em dia está tão difícil trabalhar com eles! Mas, não perco as esperanças, enquanto isso, vou trabalhando com meus pequenos, cumprindo a minha missão.

Beijinhos.




Amo esse vídeo, se puder assiste!









domingo, 11 de agosto de 2019

A inocência da Infância






Sou professora de alguns alunos de um bairro periférico da cidade onde moro e esses dias atrás, fomos dar um passeio de trenzinho, uma tradição da festa da padroeira da cidade, que dura dez dias. A diretora da escola permitiu que algumas mães fossem com a gente, o trenzinho saiu do bairro e deu uma volta pelo centro tocando várias músicas desde infantis até funks tranquilinhos (estes são os prediletos deles). 


Mas, o que mais me chamou a atenção durante o passeio foi o comportamento de uma senhora, de aproximadamente uns 80 anos que nos acompanhou. Ela esta estava tão eufórica, eu diria até mais do que as próprias crianças. Mexia com todos na rua, gritava, dava tchau, cantava, mandava beijinhos para os homens e, gente! Ela mexeu com um “coroa” lindo e sério que a encarou tão friamente que me deu medo! Confesso que na hora pensei que ele fosse falar algo para ela (porque o trenzinho andava devagar e parava), no entanto, ele só olhou bravo mesmo, ele a fulminou com o olhar! E ela? Nem ligou... continuou com sua alegria, não deixou se abater com aquele mal-humorado e lindo homem. Eu, com certeza, no lugar dela ficaria morrendo de vergonha e o passeio acabaria pra mim. Essa senhora me colocou para pensar naquele momento. Sua alegria me contagiou.



Nada nem ninguém podia tirar sua satisfação de usufruir daquele passeio, comecei a imaginar a vida que ela passava fora dali. Era uma senhora bem simples, humilde e que já viveu anos e fiquei imaginando sua trajetória, sua luta, suas dificuldades seus “anos”. E por que não aproveitar aquele momento que é raro? Com companhias tão inocentes como as crianças em um trenzinho que nos remete à infância nos tirando as responsabilidades de adultos por alguns instantes? 


Enxerguei naquela hora que tudo é tão passageiro, tanto as dificuldades quanto as alegrias! Então, para quê me preocupar com as “caras feias”?



A vida é curta demais para isso! A inocência da infância ainda está em nós em algum lugar, é só explorarmos!




As crianças, por sua vez, com suas purezas, nem notaram nada, só se divertiram, riram e amaram o momento, se encantando com as músicas, com os colegas e comigo que ri com eles sem perceberem a maldade que existe na mente alheia.




Um viva a inocência infantil!




Beijinhos.